- O NAD e a coenzima Q10 são duas moléculas que a célula usa para transformar o alimento em energia, e as duas aparecem mais baixas com a idade em tecidos humanos.
- Uma revisão de 2024 na revista Aging Cell descreve queda de 10% a 50% do NAD em tecidos humanos ao longo da vida adulta e em doenças ligadas à idade.
- Em estudos com pessoas, suplementar moléculas que o corpo transforma em NAD subiu o NAD no sangue, e suplementar a coenzima Q10 subiu a Q10 no sangue.
- Num ensaio de 2023 com 30 adultos, a força, a resistência à fadiga do músculo e o NAD dentro do músculo não mudaram depois de 28 dias de NMN, uma molécula que o corpo transforma em NAD.
Suplementar a coenzima Q10, ou moléculas que o corpo transforma em NAD, faz o nível delas subir no sangue, e isso já foi medido em pessoas. O que os estudos ainda não mostraram é que essa subida vire mais força ou menos cansaço no dia a dia.
O dado mais direto vem de um ensaio de 2023 com 30 adultos de 45 anos ou mais, com participação de Harvard. Em 28 dias de NMN, uma molécula que o corpo transforma em NAD, o NAD subiu no sangue, e a força e o fôlego ficaram iguais aos do grupo que tomou placebo.
O que são o NAD e a coenzima Q10?
O NAD (nicotinamida adenina dinucleotídeo) é uma molécula presente em todas as células, que participa da transformação do alimento em energia. Uma revisão de 2021 descreve também o papel dele na manutenção da célula e no conserto do DNA.
A coenzima Q10 fica na membrana da mitocôndria, a parte da célula que fabrica energia. Ela carrega elétrons na linha de montagem dessa energia e protege a membrana contra a oxidação, o desgaste químico que o próprio funcionamento da célula produz, segundo uma revisão de 2018.
Se a célula fosse um aparelho, NAD e coenzima Q10 seriam duas peças da bateria, e o próprio corpo fabrica as duas.
Elas caem mesmo com a idade?
O NAD cai, e há medida em pessoas. A revisão de 2024 na Aging Cell reúne estudos com queda de pelo menos 10% a 50% em tecidos humanos na vida adulta e em doenças ligadas à idade. No cérebro, uma ressonância magnética de alta potência em voluntários saudáveis mostrou o NAD mais baixo nos mais velhos, como descreve uma revisão de 2021 sobre o NAD no cérebro.
Na coenzima Q10, o dado é mais antigo e menos firme. Em 1989, pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, mediram a Q10 em órgãos de pessoas de 1 dia a 81 anos. Na maioria dos órgãos o pico ficou por volta dos 20 anos, com queda contínua depois. A revisão de 2018 chama essa queda de "proposta" e aponta discrepâncias entre os estudos.
Além da idade, alguns medicamentos também podem baixar a Q10 no sangue, e a lista do que você já usa entra nessa conversa na consulta.
Cair com a idade não prova que a falta delas cause o envelhecimento. A própria revisão de 2024 diz que ainda não se sabe em que medida o NAD baixo é causa ou consequência.
O que acontece no sangue quando se suplementa?
O nível sobe. Em 2023, no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, um ensaio do Brigham and Women's Hospital, ligado a Harvard, com o pesquisador David Sinclair entre os autores, deu NMN, uma molécula que o corpo transforma em NAD, a adultos de 45 anos ou mais com sobrepeso ou obesidade. Foram 30 pessoas por 28 dias, 21 com NMN e 9 com placebo, um produto igual sem a substância. O NAD no sangue subiu já no 14º dia.
Uma revisão sistemática de 2024 no American Journal of Physiology, o tipo de estudo que junta todos os ensaios sobre a mesma pergunta, com 10 ensaios e 489 participantes, encontrou a subida também com o NR (nicotinamida ribosídeo), outra molécula que o corpo transforma em NAD. Os efeitos adversos registrados foram leves, como dor muscular, dor de cabeça, alteração do sono e cansaço.
Com a coenzima Q10, o padrão se repete. Uma revisão de 2025 no British Journal of Nutrition, com metanálise, a conta que soma os resultados de vários estudos num número só, reuniu 24 estudos em adultos saudáveis e viu a Q10 subir no sangue de forma consistente.
Mais no sangue quer dizer mais energia?
Nos estudos publicados até 2025, não. No ensaio de 2023, força, resistência à fadiga do músculo e capacidade aeróbica, o fôlego, ficaram iguais às do grupo placebo. O NAD dentro do músculo, medido por ressonância, também não mudou.
Com a coenzima Q10, a revisão de 2025 achou efeito pequeno e inconsistente no desempenho físico. O sinal de menos cansaço relatado foi chamado de sugestivo, e os autores classificam a certeza das conclusões como muito baixa a baixa.
A revisão de 2024 do NAD achou efeito clínico que mudava de um estudo para outro, e os autores o consideraram incerto. São ensaios pequenos, de 13 a 108 pessoas cada, com formas e quantidades diferentes de suplemento.
Subir no exame de sangue é o primeiro passo de um tratamento, não a prova de que ele funciona.
NAD e coenzima Q10 caem com a idade e sobem no sangue quando suplementados. Que essa subida devolva disposição é o que os ensaios em pessoas ainda precisam mostrar.
O que isso muda pra você
Cansaço que aparece com os anos tem muitas causas, e a bateria da célula é só uma delas. Um exame dentro da faixa normal não encerra a investigação, e um suplemento que sobe um número no sangue também não.
Bateria fraca não se resolve com força de vontade. Se ela se resolve com suplemento, é pergunta para a consulta, com os seus exames e a sua história na mesa.
Este texto é da Núcleo A+, clínica em Alphaville, e se apoia em estudos publicados entre 1989 e 2025.
O autor declara não ter conflito de interesse.
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Conheça como funciona o atendimentoPerguntas frequentes
O que é NMN?
NMN é a sigla de nicotinamida mononucleotídeo, uma molécula que o corpo transforma em NAD, peça da produção de energia dentro da célula. Num ensaio de 2023 no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, com 30 adultos de 45 anos ou mais com sobrepeso ou obesidade, o NMN subiu o NAD no sangue em 14 dias. No mesmo estudo, força, resistência à fadiga do músculo e o NAD dentro dele não mudaram em 28 dias.
Suplemento de NAD é seguro?
Nos ensaios publicados, foi bem tolerado. Uma revisão sistemática de 2024 no American Journal of Physiology, que juntou 10 ensaios com 489 participantes, registrou efeitos adversos leves, como dor muscular, dor de cabeça, alteração do sono e cansaço. São estudos pequenos, de 13 a 108 pessoas cada, com formas e quantidades diferentes de suplemento, e o efeito clínico foi considerado incerto pelos autores.
Coenzima Q10 melhora o cansaço?
Ainda não há prova firme. Uma revisão de 2025 no British Journal of Nutrition, que somou os resultados de 24 estudos em adultos saudáveis, mostrou que a suplementação sobe a coenzima Q10 no sangue de forma consistente. O efeito no desempenho físico foi pequeno e inconsistente, e o sinal de menos cansaço relatado foi chamado de sugestivo, com certeza muito baixa a baixa.
