- Peptídeo é uma cadeia curta de aminoácidos que leva um recado para a célula, e as canetas de emagrecimento são peptídeos com registro na Anvisa.
- Dos cinco peptídeos bremelanotida, Semax, SS-31, GHK-Cu e MOTS-c, dois têm aprovação nos Estados Unidos (bremelanotida e SS-31), e nenhum tinha registro de medicamento na Anvisa em setembro de 2026.
- Em julho de 2026, um comitê consultivo do FDA recomendou liberar a manipulação de seis peptídeos nos Estados Unidos, entre eles BPC-157, MOTS-c e Semax, e a recomendação ainda não é decisão da agência.
- Em 2 de julho de 2026, a Anvisa alertou que peptídeos injetáveis vendidos na internet não são regularizados no Brasil e não têm garantia de origem nem de composição.
Peptídeos são cadeias curtas de aminoácidos que levam recados para as células, e cinco deles estão hoje na mira da ciência: um para o desejo sexual feminino, um para a atenção, dois ligados à mitocôndria e um para a pele. Dois já têm aprovação nos Estados Unidos. Nenhum tinha registro de medicamento na Anvisa em setembro de 2026.
Este texto é informativo. Esses cinco peptídeos ainda não estão liberados no Brasil, e o artigo mostra o que a ciência estuda, sem indicar o uso de nenhum deles.
O que é um peptídeo?
Peptídeo é uma cadeia curta de aminoácidos, os mesmos blocos que formam as proteínas. O corpo produz vários, e cada um funciona como um recado para um tipo de célula.
Alguns já viraram remédio. As canetas de emagrecimento são peptídeos com registro na Anvisa, como explica o artigo sobre as canetas de GLP-1 depois do fim da patente. Os cinco abaixo ainda não estão liberados no Brasil.
Para que serve cada um, e onde está a prova?
Bremelanotida, para o desejo sexual feminino. É a única dos cinco com aprovação plena de uma agência reguladora. O FDA, a agência de medicamentos dos Estados Unidos, aprovou a bremelanotida em junho de 2019 para mulheres com desejo sexual baixo antes da menopausa.
Segundo o FDA, nos dois estudos que sustentaram a aprovação, cerca de 25% das mulheres melhoraram com a bremelanotida, contra 17% com placebo, a aplicação sem o remédio. Náusea apareceu em cerca de 4 de cada 10 mulheres.
Semax, para a atenção. É usado na Rússia. Um estudo russo de 1996, de Kaplan e colegas, com voluntários saudáveis, registrou melhora da atenção por até 24 horas depois da aplicação pelo nariz. Em 2018, o grupo de Gusev estudou o Semax em 110 pacientes em recuperação de AVC.
SS-31, para a mitocôndria. Mitocôndria é a usina de energia da célula, e o SS-31 se liga à membrana interna dela. Em setembro de 2025, recebeu nos Estados Unidos uma aprovação acelerada, que é provisória e exige um estudo de confirmação, para a síndrome de Barth, uma doença genética rara. Em outro estudo, publicado em 2023 na revista Neurology com pessoas com outra doença da mitocôndria, o SS-31 não atingiu o objetivo principal, que é a melhora que o estudo se propôs a medir.
GHK-Cu, para o colágeno da pele. Os estudos em pessoas usaram o GHK-Cu em creme e registraram aumento de colágeno na pele, segundo uma revisão de 2018 no International Journal of Molecular Sciences. No Brasil, o GHK-Cu não tem registro de medicamento, e a Anvisa o citou no alerta de julho de 2026 sobre produtos vendidos na internet.
MOTS-c, ligado ao exercício. É um peptídeo que nasce na própria mitocôndria. Um estudo de 2021 na Nature Communications mostrou que o exercício aumenta o MOTS-c no músculo e no sangue de pessoas. O ganho de capacidade física com o tratamento foi medido em camundongos idosos.
A medicina de amanhã já está sendo testada.
Dos cinco peptídeos, dois têm aprovação nos Estados Unidos, três estão em estudos com voluntários, com creme ou em animais, e nenhum está liberado no Brasil.
O que o comitê do FDA votou em julho de 2026?
Em 23 e 24 de julho de 2026, o comitê consultivo de manipulação do FDA, a agência de medicamentos dos Estados Unidos, votou a favor de seis peptídeos: BPC-157, KPV, TB-500, MOTS-c, Epitalon e Semax. Votou contra um, o emideltide. Dois dos cinco peptídeos deste texto, MOTS-c e Semax, estão entre os seis.
O voto recomenda que farmácias de manipulação americanas possam preparar essas substâncias com receita. Ele é uma recomendação e não obriga a agência: para entrar na lista, o FDA ainda precisa publicar uma regra formal. Uma decisão americana, quando sair, vale para os Estados Unidos.
E no Brasil, o que vale?
Em 2 de julho de 2026, a Anvisa alertou que produtos vendidos na internet como GHK-Cu, BPC-157, TB-500, CJC-1295 e ipamorelina não estão regularizados no Brasil como medicamento, suplemento ou cosmético, e não têm garantia de segurança, origem ou composição.
O mesmo comunicado lembra duas regras. Suplemento alimentar só pode ser de uso oral, então não existe suplemento injetável regularizado. E fórmula manipulada exige prescrição individual e farmácia de manipulação regularizada.
O que isso muda pra você
Este artigo é informativo: os cinco peptídeos ainda não estão liberados no Brasil. Se o que despertou o seu interesse foi o motivo por trás deles, como desejo, energia ou pele, o caminho é levar essa queixa para uma consulta, que investiga o seu caso com o que já está disponível aqui. Veja o que investigamos numa avaliação.
Frasco comprado pela internet fica fora desse caminho, porque ninguém garante o que vem dentro dele.
Revisado em 02/10/2026.
O autor declara não ter conflito de interesse.
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Conheça como funciona o atendimentoPerguntas frequentes
O FDA aprovou o BPC-157 e os outros peptídeos?
Em julho de 2026, um comitê consultivo do FDA recomendou que seis peptídeos, entre eles o BPC-157, possam ser preparados por farmácias de manipulação nos Estados Unidos. O voto do comitê é uma recomendação e não obriga a agência, que ainda precisa publicar uma regra formal. Recomendação de comitê também é diferente de aprovação de um medicamento com eficácia comprovada.
Peptídeos são liberados no Brasil?
Depende do peptídeo. As canetas de emagrecimento são peptídeos com registro na Anvisa. Já bremelanotida, Semax, SS-31, GHK-Cu e MOTS-c ainda não estão liberados no Brasil: nenhum tinha registro de medicamento na Anvisa em setembro de 2026. Em 2 de julho de 2026, a Anvisa alertou que peptídeos injetáveis vendidos na internet, como BPC-157 e TB-500, não são regularizados no país.
Para que serve o GHK-Cu?
O GHK-Cu é um peptídeo ligado à produção de colágeno da pele. Os estudos em pessoas usaram o GHK-Cu em creme e registraram aumento de colágeno, segundo uma revisão de 2018. No Brasil, o GHK-Cu não tem registro de medicamento na Anvisa, e a agência o citou no alerta de julho de 2026 sobre produtos vendidos na internet sem regularização.
Qual peptídeo tem mais prova científica?
Entre bremelanotida, Semax, SS-31, GHK-Cu e MOTS-c, a bremelanotida é a única com aprovação plena: o FDA a aprovou em 2019 para mulheres com desejo sexual baixo antes da menopausa, depois de dois estudos em que cerca de 25% melhoraram, contra 17% com placebo. O SS-31 tem aprovação provisória para uma doença rara. Semax, GHK-Cu e MOTS-c têm estudos com voluntários, com creme ou em camundongos.
